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LUIGI DI VAIO Líder do Partido Verde (PV) na Câmara Federal, o deputado José Sarney Filho (do Maranhão) esteve ontem em Santos e afirmou que a legenda não fechou questão com relação à votação, hoje, do salário mínimo proposto pelo Governo Federal, de R$ 260,00. ‘‘A maioria (do partido) deve votar contra este valor’’, antecipou. Sarney Filho disse que o partido vai se reunir com o PC do B para criar uma proposta conjunta de política de salário mínimo. Ontem, ele ainda não havia definido como votará hoje. Seu voto, porém, pode ter influência do trabalho de sensibilização feito pelo presidente Luiz Ignácio Lula da Silva no encontro de líderes dos partidos na semana passada. Na ocasição, Lula lembrou que sempre lutou por um aumento justo para o mínimo, mas que hoje, como presidente, não poderia propor mais do que R$ 260,00. ‘‘Ele disse estar convencido de que esse valor era o que poderia ser dado’’. O líder do PV na Câmara Federal não vê uma votação fácil para o governo, acredita que haverá um complicador maior no Senado. Sarney Filho deu palestra ontem à noite na Universidade Católica de Santos (UniSantos) sobre Meio Ambiente e os Municípios. À tarde, visitou A Tribuna, sendo recebido pelo editor-chefe, Marcio Calves, e pela editora-executiva, Arminda Augusto. Estava acompanhado de membros da executiva e do pré-candidato a prefeito de Santos, Pablo Perez Greco.
Filho do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB), Zequinha, como também é conhecido, foi ministro do Meio Ambiente entre janeiro de 1999 e março de 2002 (Governo Fernando Henrique Cardoso). Veja os principais trechos da entrevista:
A Tribuna — A Baixada Santista, assim como outras regiões do País, enfrenta o seguinte dilema: aliar o desenvolvimento econômico à preservação ambiental. Como resolver este impasse? A região pode crescer e, ao mesmo tempo, preservar suas áreas verdes?
José Sarney Filho — Temos que ter cada vez mais presente que os biomas, além de serem reservas de bancos genéticos, de preservarem a diversidade da vida, prestam serviços ambientais; como a qualidade da água, do solo e do ar. Na medida em que você afeta esses biomas, como tem ocorrido aqui na Mata Atlântica, compromete a qualidade de vida das pessoas que se servem desse bioma. A cidade de São Paulo corre o risco de ter um racionamento de água por causa do mau uso do bioma. É lógico que o grande desafio do Estado de São Paulo hoje, e até do mundo, é compatibilizar o desenvolvimento com responsabilidade para com as futuras gerações. Existem modelos que estão sendo experimentados e não há uma regra geral. Há procedimentos comuns.
AT — Quais são?
Sarney Filho — Jamais retirar da natureza aquilo que ela não pode repor por um determinado prazo. Isso serve para exploração de madeira, agricultura, exploração mineral e irrigação. No que diz respeito à Mata Atlântica, que é o bioma da região, boa parte do que foi preservado são os chamados paredões (encostas), áreas onde é difícil dar outro uso. A preservação não se dá propriamente pela visão ambiental, mas pela impossibilidade física de se explorar.
AT — Muito se tem dito que a solução seria o crescimento através do uso turístico das reservas naturais. Como o sr. vê esse posicionamento?
Sarney Filho — Há atividades características desse modelo de desenvolvimento sustentável. O Ecoturismo é uma delas. Mas é lógico que você não pode pensar em substituir indústria por turismo, isso é um pouco de romantismo. Já passou o momento de dizermos o ‘‘não’’. Temos de dizer o ‘‘como’’. E o ‘‘como’’ de uma maneira que agregue as variantes ambiental e social. Isso é o maior perigo que vejo hoje no desenvolvimento do Brasil. Inclusive o próprio Governo Federal, no qual não incluo o Ministério do Meio Ambiente nisso, que é minoria e não tem voz na questão ambiental...
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