|
Em entrevista hoje ao jornalista Heródoto Barbeiro, no Jornal da CBN São Paulo, o deputado Sarney Filho voltou a criticar as manobras para flexibilizar o Código Florestal brasileiro. “O pano de fundo de toda essa polêmica está na intenção de alguns segmentos atrasados de ruralistas que querer basicamente aumentar as áreas que podem ser desmatadas e anistiar os proprietários de terra que desmataram mais do que prevê a lei e não querem recuperar essas áreas”, afirmou o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.
Respondendo a uma pergunta do jornalista, Sarney Filho afirmou que é mais fácil desmatar do que recuperar áreas que já foram utilizadas, daí o interesse em promover mais desmatamentos. Ele chamou atenção para as tentativas de se diminuir no Código as Áreas de Preservação Permanente (APPs). “No caso da Mata Atlântica, caso se modifique a lei, será o fim dos corredores ecológicos que interligados ajudam a preservar o que resta de vegetação e da fauna desse ecossistema”, alertou o deputado.
Ele também destacou que a sociedade deve ficar atenta as novas manobras, dessa vez, voltadas para modificar o projeto de lei em discussão no Congresso Nacional que estabelece o Zoneamento Agro-ecológico da Cana de Açucar. “Trata-se de importante proposta do governo que estabelece limites para a expansão do plantio da cana em áreas da Amazônia e Pantanal Matogrossense, com o objetivo de proteger esses ecossistemas, mas já há movimento no sentido de modificar o projeto, o que não podemos aceitar”, afirmou o deputado. Para o deputado, seria um contrasenso aprovar essas mudanças no texto. “O Nosso etanol foi combatido no exterior porque plantações estavam invadindo áreas de florestas e também pela existência de trabalho escravo e, por isso, o governo enviou este projeto ao Congresso. Além disso, com o zoneamento os nossos produtores poderão afirmar com tranqüilidade que o álcool produzido no país não agride a biodiversidade”, disse o parlamentar.
Heródoto Barbeiro perguntou se o selo de “sustentabilidade” não seria apenas um marketing para o setor produtivo. Em resposta, Sarney Filho disse que cada vez mais cresce no setor produtivo o número de empresários que estão empenhados em trabalhar sem afetar o meio ambiente.
“Ocorre que no caso da Câmara dos Deputados parlamentares que representam uma minoria atrasada de ruralistas preferem agir contra os avanços necessários para o século XXI. No caso do Código Florestal, esses parlamentares acabaram forçando os líderes dos grandes partidos a indicá-los para a comissão, da mesma forma como ocorreu na comissão do Meio Ambiente, que no ano passado teve uma maioria de ruralistas entre os seus integrantes” explicou o deputado.
Sarney Filho concluiu afirmando que esses grupos deveriam perceber que a floresta em pé se tornará cada vez mais rentável que a floresta derrubada, tendo em vistas os vários mecanismos previstos na legislação de incentivo a quem está comprometido com a sustentabilidade.
|