Representantes de 126
movimentos ambientalistas, sociais, sindicais e estudantis, de
partidos políticos, da comunidade científica, de instituições
públicas e de outras entidades da sociedade civil organizada
divulgaram um manifesto em defesa do Código Florestal, durante
ato público realizado no dia 29 de janeiro na Câmara Municipal
de Ribeirão Preto.
A Carta de Ribeirão Preto alerta para
a tentativa de “desmonte da legislação ambiental brasileira,
patrocinada pela bancada ruralista do Congresso Nacional, que,
em prejuízo dos interesses do povo brasileiro, apresentou
diversos projetos de lei que visam revogar ou modificar o
Código Florestal (Lei nº 4.771/65), a Lei de Política Nacional
do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81), a Lei de Crimes Ambientais
(Lei nº 9.605/98) e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza (Lei nº 9.985/2000)”.
Os
signatários do documento defendem a manutenção da legislação
ambiental vigente e a ampliação dos mecanismos legais de
proteção aos ambientes naturais e à biodiversidade e a plena e
imediata recuperação ambiental das áreas de preservação
permanente e de reserva legal. Querem, também, a criação de um
programa nacional de adequação socioambiental das pequenas
unidades de produtores rurais e dos assentamentos da reforma
agrária que contemple estímulo à policultura, à produção
agrícola sustentável, à geração de postos de trabalho no campo,
à agricultura orgânica e à implantação de agroflorestas.
A Carta destaca, ainda, a necessidade de programa de
assistência técnica contínua e com qualificação para o manejo
ambiental; fomento para recuperação de áreas de preservação
permanente e de reserva legal; política de comercialização da
produção familiar, para evitar que a agricultura convencional
exerça pressão sobre a área preservada, a abertura de amplo
processo de debate com a sociedade a respeito dos temas acima
elencados e a ampla e prévia divulgação das audiências públicas
promovidas pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, para
que todos os segmentos da sociedade civil possam efetivamente
delas participar.
Conheça a íntegra da carta e as
entidades que subscreveram o documento:
03.02.10 -
BRASIL
Carta de Ribeirão Preto e Região em defesa do
Código Florestal
Adital -
Por Justiça Ambiental, Social e Agrária
Nós,
representantes de movimentos ambientalistas, sociais, sindicais
e estudantis, de partidos políticos, da comunidade científica,
de instituições públicas e de outras entidades da sociedade
civil organizada, participantes do ATO PÚBLICO EM DEFESA DO
CÓDIGO FLORESTAL, realizado no dia 29 de janeiro de 2010, na
Câmara Municipal de Ribeirão Preto,
I - Considerando:
a) a tentativa de desmonte da legislação ambiental
brasileira, patrocinada pela bancada ruralista do Congresso
Nacional, que, em prejuízo dos interesses do povo brasileiro,
apresentou diversos projetos de lei que visam revogar ou
modificar o Código Florestal (Lei nº 4.771/65), a Lei de
Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81), a Lei de
Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98) e a Lei do Sistema Nacional
de Unidades de Conservação da Natureza (Lei nº 9.985/2000);
b) a prevalência dos interesses corporativos de grandes
grupos econômicos ligados ao agronegócio nas propostas de
alteração das leis ambientais, contrariando as medidas
necessárias à proteção dos recursos naturais;
c) a
restrita divulgação das audiências públicas promovidas pela
Comissão Especial da Câmara dos Deputados, capitaneada pelos
ruralistas, para o debate desses projetos de lei;
d) a
magnitude dos desastres ambientais causados pela perversa
combinação entre mudanças climáticas, pobreza, expansão
devastadora do agronegócio, pressão da especulação imobiliária
e descumprimento da legislação protetiva;
e) a redução, a
ocupação e a exploração das áreas de preservação permanente e
de reserva legal previstas nas propostas de alteração do Código
Florestal, e os prejuízos que poderão causar:
• à
biodiversidade, porque reduz o número de espécies da flora e da
fauna; reduz o fluxo gênico; provoca a erosão genética e a
perda de habitat de espécies da fauna;
• ao equilíbrio
climático, porque diminui a umidade relativa do ar; eleva as
temperaturas médias; modifica o regime de chuvas que ficam cada
vez mais concentradas num período do ano;
• ao ciclo
hidrológico, porque reduz a vazão dos corpos d'água e favorece
a sua contaminação;
• aos solos, porque diminui sua
atividade microbiana; aumenta a exposição do solo aos efeitos
negativos da radiação solar;
• à saúde pública, porque
aumenta os índices de doenças devido ao desconforto climático,
à baixa umidade relativa do ar e à invasão de vetores de
microorganismos patogênicos;
f) a impunidade gerada pelo
adiamento da aplicação das sanções relacionadas a infrações
ambientais praticadas no Brasil;
g) o caráter perverso do
padrão de produção agrícola adotado pelo agronegócio, baseado
na concentração fundiária, na monocultura de exportação, no uso
intensivo de agroquímicos, na exploração do trabalhador e na
expulsão do homem do campo;
h) a superioridade do modelo
da agricultura familiar para a geração de postos de trabalho e
para a produção de alimentos;
i) o descaso do Poder
Público em exigir, com base na Constituição da República, o
cumprimento da função social da terra;
j) a inércia do
Poder Público em desapropriar os imóveis rurais que descumprem
a função ambiental, independentemente dos índices de
produtividade, como autoriza a Constituição da República;
k) a inércia do Poder Público em desapropriar os imóveis
rurais onde ocorrem violações às normas de proteção das
relações de trabalho, independentemente dos índices de
produtividade, como autoriza a Constituição da República.
II - Reivindicamos:
a) a manutenção da legislação
ambiental vigente e a ampliação dos mecanismos legais de
proteção aos ambientes naturais e à biodiversidade;
b) a
plena e imediata recuperação ambiental das áreas de preservação
permanente e de reserva legal;
c) a criação de programa
nacional de adequação socioambiental das pequenas unidades de
produtores rurais e dos assentamentos da reforma agrária, que
contemple:
• estímulo à policultura, à produção agrícola
sustentável, à geração de postos de trabalho no campo, à
agricultura orgânica, à implantação de agroflorestas;
•
programa de assistência técnica contínua e com qualificação
para o manejo ambiental;
• fomento para recuperação de
áreas de preservação permanente e de reserva legal;
•
política de comercialização da produção familiar, para evitar
que a agricultura convencional exerça pressão sobre a área
preservada;
d) a abertura de amplo processo de debate com
a sociedade a respeito dos temas acima elencados;
e) a
ampla e prévia divulgação das audiências públicas promovidas
pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, para que todos
os segmentos da sociedade civil possam efetivamente delas
participar.
III - Não aceitaremos:
a) a submissão da
dignidade humana e do bem comum aos desígnios do mercado;
b) a subversão do princípio democrático, consagrado nas
Constituições contemporâneas, que determina a supremacia do
interesse socioambiental sobre o privado;
Nessa quadra da
História, o retrocesso na proteção ambiental é inadmissível.
Ribeirão Preto, 29 de janeiro de 2010
Atualização em
01.2.2010 - 12h10
ATO PÚBLICO EM DEFESA DO CÓDIGO
FLORESTAL
LISTA ATUALIZADA DE PARTICIPANTES/APOIADORES
(por ordem alfabética)
1. ABEEF - Associação de
Estudantes de Engenharia Florestal
2. ABEF - Associação
Brasileira dos Estudantes de Filosofia
3. Acampamento
Independente - Guaiçara/SP
4. ADA - Agência de
Desenvolvimento de Araraquara /SP
5. ADUSP - Associação
dos Docentes da Universidade de São Paulo
6. Agenda
Ambiental - Núcleo de Política e Ciência Ambiental - Depto.
Biologia - FFCLRP - USP
7. AMAR - Associação de Mães e
Amigos de Adolescentes em Risco
8. ANATEC - Associação
Nacional de Assistência Técnica da Reforma Agrária
9. ANEL
- Assembléia Nacional dos Estudantes Livres
10. ANPG -
Associação Nacional de Pós-Graduandos
11. ANPRA -
Associação Nacional de Apoio a Reforma Agrária
12. ANVB -
Associação Nacional dos Violeiros do Brasil
13. APEOESP -
Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São
Paulo - Subsede de Ribeirão Preto
14. Assentamento Índio
Galdino - Fazenda da Barra - RP
15. Associação
Ambientalista de Marília ORIGEM
16. Associação Amigos do
Arquivo Público Municipal de Ribeirão Preto
17. Associação
Amigos do Memorial da Classe Operária
18. Associação
Cultural e Ecológica Pau-Brasil
19. Associação Cultural
Humanística
20. Associação Olhos D'Água
21.
Associação Pró-Fitoterapia de Ribeirão Preto
22. AVA -
Associação Vida Animal
23. CACB - Centro Acadêmico de
Ciências Biológicas - ESALQ-USP
24. CAER - Centro
Acadêmico Emílio Ribas - Nutrição - USP
25. CAFI - Centro
Acadêmico da Filosofia USP - RP
26. CAHIS - Centro
Acadêmico de História - UNIFESP
27. CALC - Centro
Acadêmico Lupe Cotrim - ECA-USP
28. CATO - Centro
Acadêmico de Terapia Ocupacional - USP
29. CEB - Centro
Estudantil da Biologia "Maria Madalena da Costa Teles" - USP-
RP
30. CEBES - Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
31. CEDHEP - Centro de Direitos Humanos e Educação Popular -
Ribeirão Preto
32. CEEFLORUSP - Centro de Estudos e
Extensão Florestal da USP-Ribeirão Preto
33. Cedro-Mulher
- Centro de Defesa dos Direitos da Mulher
34. CELACC -
Centro de Estudos Latino-americanos de Comunicação e Cultura -
ECA - USP
35. Centro Acadêmico Biologia - UFSCar - São
Carlos
36. Centro Acadêmico Professor Paulo Freire - USP
-SP
37. Centro Acadêmico Rui Barbosa da Escola de Educação
Física e Esporte da USP
38. Centro Acadêmico de Tecnologia
da Unicamp - Limeira - SP
39. Centro Cultural Orùnmilá -
Ribeirão Preto
40. Centro de Formação Dom Hélder Câmara
41. CES - Centro dos Estudantes de Santos
42. CEUNSP -
Itu-SP
43. Ciranda em Defesa da Educação Infantil Pública,
Gratuita e de Qualidade
44. Círculo de Ação Popular José
Rosa Melo - CAP-Quintino
45. Coletivo Educador Ipê Roxo
46. Coletivo Universidade Popular da Unicamp - Campinas -
SP
47. Comitê em Defesa da Reserva Legal - Ribeirão
Preto
48. CONLUTAS - Coordenação Nacional de Lutas
49. COOPERECOS - Cooperativa de Manejo da Agrobiodiversidade
do Assentamento Sepé Tiarajú
50. CUT - Central Única dos
Trabalhadores - Estadual São Paulo e Subsede de Ribeirão
Preto
51. DAMAC - Diretório Acadêmico Mackenzie - SP
52. DC AGRO - Diretório do Curso de Agronomia - ESALQ-USP
53. DCE -USP - Diretório Central dos Estudantes Livre
Alexandre Vanucchi - Leme -SP
54. Diretório Acadêmico da
Biologia - Barão de Mauá - Ribeirão Preto
55. ECOSURFI -
Entidade Ecológica dos Surfistas - Itanhaém-SP
56. EIV-SP
- Estágio Interdisciplinar de Vivência-São Paulo
57.
ENEBIO - Entidade Nacional de Estudantes de Biologia
58.
ENESSO - Executiva Nacional de Estudantes de Serviço Social
59. Entidade Ambientalista Ibiré
60. Estação Luz Espaço
Experimental de Tecnologias Sociais
61. EXNEEF - Executiva
Nacional de Educação Física
62. Executiva Nacional dos
Estudantes de Pedagogia de São Paulo
63. FEAB - Federação
dos Estudantes de Agronomia do Brasil
64. FEPARDO -
Federação Pardo Grande de Entidades Ecológicas e
Ambientalistas
65. FERAESP - Federação dos Empregados
Rurais Assalariados do Estado de São Paulo
66. Fórum dos
Cursinhos Populares de Ribeirão Preto e Região
67. Fórum
dos Movimentos Sociais BR 163/PA - Campo Verde - Itaituba-PA
68. Frente Popular Dario Santillan - Argentina
69.
FREPOP - Fórum de Educação Popular - Lins - SP
70. GEA -
Grupo de Estudos Ambientais da USP - SP
71. Grupo de
Pesquisa Educação e Direito na Sociedade Brasileira
Contemporânea - Departamento de Educação UFSCar - São
Carlos/SP
72. GREENPEACE
73. Grupo de Pesquisa
Educação e Direito na Sociedade Brasileira Contemporânea -
UFSCar
74. GP - DARAF - Grupo Pesquisas para o
Desenvolvimento dos Assentamentos Rurais e da Agricultura
Familiar - ESALQ-USP
75. Grupo de Pesquisa Trabalho,
Organização Social e Comunitária - Depto. Psicologia -
UFSCar
76. Instituto Ambiente em Foco - Piracicaba - SP
77. Instituto Cultural Lindolpho Silva
78. Instituto de
Educação e Pesquisa Ambiental Planeta Verde - Taquaritinga
79. MAB - Movimento dos Atingidos por Barragens
80.
Movimento Estudantil A Hora é Essa Ousar Lutar, Ousar Vencer
81. MEGaia - Movimento Estudantil Gaia - Barão de Mauá -
Ribeirão Preto
82. MLST - Movimento de Libertação dos Sem
Terra
83. Movimento das Artes - Ribeirão Preto
84.
Movimento do Ministério Público Democrático
85. Movimento
da Não Violência - Franca
86. MST - Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra
87. MULECA - Movimento
Universitário Livre de Educação Cultura e Arte
88. NATRA -
Núcleo Agrário "Terra e Raiz" - UNESP - Franca
89. NEPA -
Núcleo de Pesquisa em Política Ambiental - EESC-USP
90.
NEPED - Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres -
Depto. Sociologia - UFSCar
91. NEPA - Núcleo de Pesquisa
em Política Ambiental -Programa de Pós-Graduação em Ciências da
Engenharia Ambiental - da Escola de Engenharia USP -São
Carlos/SP
92. OCA - Laboratório de Educação e Política
Ambiental - ESALQ - USP
93. ONG Ribeirão Em Cena
94.
Organizacion Nacional "La Minga" - Colombia
95. Pastorais
Sociais da Arquidiocese de Ribeirão Preto
96. Pastoral da
Terra e dos Trabalhadores Migrantes - Lins - SP
97. PCB -
Partido Comunista Brasileiro - Secretaria Estadual
98.
PCdoB - Partido Comunista do Brasil - Comitê Municipal
99.
PDT - Partido Democrático Trabalhista
100. PRÁXIS -
Instituto de Políticas Públicas
101. PRODEMA - Proteção e
Defesa do Meio Ambiente - Jandira-SP
102. PSOL - Partido
Socialismo e Liberdade
103. PSTU - Partido Socialista dos
Trabalhadores Unificados
104. PT - Partido dos
Trabalhadores - Diretório Municipal de Ribeirão Preto
105.
PV - Partido Verde - Araraquara
106. PV - Partido Verde -
Nordeste Paulista
107. PV - Partido Verde - Franca
108. Rede de ONGs da Mata Atlântica
109. SAJU - Serviço
de Assessoria Jurídica Universitária - Direito -SP
110.
SARA - Serviço de Aprendizagem Rural ao Adolescente -
Cravinhos-SP
111. SASP - Sindicato dos Arquitetos do
Estado de São Paulo
112. Secretaria Acadêmica Pró-
Ambiental - Engenharia Ambiental - USP - São Carlos
113.
Seminário Gramsci
114. Sindicato dos Servidores Municipais
de Ribeirão Preto
115. Sindicato dos Trabalhadores em
Empresas de Correios e Telégrafos - Ribeirão Preto
116.
Sindicato dos Trabalhadores Rurais União e Luta - Paraguaçu
Paulista - SP
117. SINSPREV - Sindicato dos Trabalhadores
em Saúde e Previdência - Ribeirão Preto
118. Sociedade
Ecológica Boca da Mata - Cajuru
119. S.O.S. Mata
Atlântica
120. Teia da Vida - Vivências Ambientais
121. UBES - União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
122. UEE - União Estadual dos Estudantes - São Paulo
123. UJS - União da Juventude Socialista
124. UNE -
União Nacional dos Estudantes
125. UPES - União Paulista
dos Estudantes Secundaristas
126. Via
Campesina













